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30/11/2017 - 16h08

Acadêmica da URI vence Prêmio Jayme Torres 2017

Com o projeto “Bate Coração e as Aventuras de Gabi. Um relato de experiência de Educação em Saúde, promovido por acadêmicos de Farmácia”, Andressa Dias da Silva venceu a premiação na categoria “Estudante”.

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Acadêmica da URI vence Prêmio Jayme Torres 2017

O Prêmio Jayme Torres foi criado como forma de incentivar a produção intelectual no setor farmacêutico brasileiro, tendo como objetivos principais identificar, reconhecer e difundir experiências que melhorem as condições de saúde da comunidade. Neste ano, a categoria “Estudante” teve como vitoriosa a aluna Andressa Dias da Silva, do 6º semestre do curso de Farmácia da URI Santo Ângelo. O projeto contou com a colaboração das professoras Cristiane de Pellegrin Kratz e Briseidy Marchesan Soares. Confira abaixo a entrevista com a estudante Andressa, que explica no que consiste a iniciativa e comenta o que espera de sua atuação como farmacêutica.

CRF-RS - Sobre o projeto “Bate Coração e as Aventuras de Gabi. Um relato de experiência de Educação em Saúde, promovido por acadêmicos de Farmácia”: De quem foi a ideia, e como foi a elaboração e execução da iniciativa? 

Andressa Dias da Silva - A ideia surgiu a partir de um trabalho interdisciplinar que é proposto pelo curso de Farmácia aos acadêmicos. O objetivo é propor um trabalho que relacione todas as disciplinas estudadas no respectivo semestre. Este ano, nossa missão era realizar um trabalho relacionado com doenças que são comuns de serem presenciadas no cotidiano de uma farmácia, devendo ser feita uma intervenção na comunidade. A partir disso, realizou-se o projeto em uma escola pública municipal com escolares entre 11 e 13 anos de idade. A ideia de criação de uma personagem infantil para abordagem partiu do principio de criar um vínculo com os ouvintes, de forma a fazê-los se imaginarem na situação da personagem, podendo realizar uma auto-avaliação.

Além disso, a escolha da faixa etária foi estratégica, pois na infância e adolescência ainda é possível a incorporação e moldagem de valores. Desta forma, se tivermos uma criança consciente e bem orientada, teremos um adulto mais saudável e ciente dos riscos a qual está exposto. O contrário não ocorre, pois agregar novos hábitos a um indivíduo de opiniões e decisões formadas é mais difícil de trabalhar. 

 

CRF-RS - O projeto contou com a colaboração, o envolvimento das professoras da URI Cristiane de Pellegrin Kratz e Briseidy Marchesan Soares. O que elas mais agregaram ao trabalho? 

Andressa Dias da Silva - A professora Cristiane esteve envolvida no projeto desde a parte inicial de pesquisa teórica até a realização da atividade prática. Seu papel como orientadora foi primordial para o desenvolvimento do trabalho, só tenho a agradecer pelo apoio e confiança. Mesmo no pouco tempo que lhe coube, me prestou suporte corrigindo e incentivando a melhora contínua do projeto. A professora Briseidy, que é bióloga, proporcionou um olhar diferente ao trabalho, aplicando conhecimentos que ainda não detínhamos, pois queríamos um trabalho multidisciplinar. Além disso, ela foi o elo que tivemos com a escola onde foi realizada a tarefa de educação em saúde. 

 

CRF-RS - Comente o fato de ser a estudante premiada. 

Andressa Dias da Silva - Eu fiquei muito feliz com a premiação. Foi uma ótima surpresa, pois este artigo foi fruto de muito trabalho e esforço nosso. Nosso objetivo era mostrar como a hipertensão arterial instalada já na idade adulta pode ser evitada a partir da adoção de hábitos de vida saudáveis, ainda na infância e adolescência. A premiação é um meio de divulgar o trabalho, e se todos que lerem entenderem o propósito da ação e passarem a executá-la continuamente em sua comunidade, poderemos, quem sabe um dia no futuro, ter menos índices de hipertensão na sociedade. 

 

CRF-RS - O que você projeta para sua atuação futura como farmacêutica? O que mais lhe atrai na profissão e quais os maiores desafios, em sua opinião? 

Andressa Dias da Silva - Já tive algumas experiências com diferentes segmentos nos quais o farmacêutico pode atuar, e tenho muita estima por praticamente todos, mas, atualmente a parte relacionada ao cuidado direto ao paciente, que envolve a farmácia clinica, é a área que mais gosto e é uma das possibilidades que pretendo seguir futuramente quando estiver formada. Entrei na faculdade querendo poder “cuidar” das pessoas, e quero fazer isto, pois acho que o farmacêutico é imprescindível na nossa sociedade, podendo mudar e melhorar a saúde e o bem estar dos pacientes. Particularmente, o que mais me atrai na profissão é o vínculo que podemos estabelecer com os pacientes, o fato de poder fazer a diferença em cada tratamento medicamentoso, ou mesmo realizando atividades de cuidado preventivo.

Acho o resultado muito gratificante, pois considero que nosso trabalho não deve se limitar ao processo doença-medicamento. Devemos cuidar da pessoa de maneira completa em todos os níveis de cuidado, servindo o paciente para a sua vida e não para sua doença. Em minha opinião, o maior desafio hoje é a reconquista da valorização e reconhecimento do papel do farmacêutico. Só ganharemos isto no momento que a sociedade passar a perceber nosso potencial, que deve ser expresso através da realização de novas ações e serviços diferenciados.

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CRF-RS - Sobre o projeto “Bate Coração e as Aventuras de Gabi. Um relato de experiência de Educação em Saúde, promovido por acadêmicos de Farmácia”: De quem foi a ideia, e como foi a elaboração e execução da iniciativa?

Professora Cristiane Kratz - Desde 2013 o Curso de Farmácia da URI/Campus de Santo Ângelo, desenvolve um projeto interdisciplinar, integrando as disciplinas do quinto semestre do curso, onde são trabalhados de forma transversal diferentes assuntos a cada ano. A partir da escolha do tema, os alunos (divididos em grupos), buscam aprofundar o assunto escolhido com o enfoque das diferentes disciplinas envolvidas (Farmacotécnica, Farmacologia, Farmacognosia, Química Farmacêutica e a Bioquímica). Cada grupo tem um professor tutor que norteia os acadêmicos nestes estudos.

Assim, nós estudamos nesse enfoque multidisciplinar os fatores que contribuem para o comprometimento dos níveis normais de pressão arterial em crianças e adolescentes, investigando os possíveis tratamentos farmacológicos e não farmacológicos empregados no gerenciamento dos sintomas desta enfermidade. E o fechamento deste trabalho foi a intervenção com os escolares.

A partir disso surgiu o projeto “Bate Coração e as Aventuras de Gabi: Um relato de experiência de Educação em Saúde promovido por acadêmicos de Farmácia” foi elaborado para tratar a hipertensão arterial com os escolares. No entanto o maior desafio para o grupo foi: como tratar de um tema tão árduo com crianças? Assim, o teatro de varal foi pensado após várias reuniões e ponderações do grupo formado por três acadêmicas de farmácia, como uma forma de fácil acesso, pois os materiais necessários são muito simples (um cordão e pregadores de roupas). Montou-se o enredo de uma história em quadrinhos cujo personagem central é uma escolar, a Gabi, tal como as crianças que formaram o público alvo.

Com a ideia central montada, formos em busca do cenário para execução da prática com a comunidade. Nesta etapa, iniciou a nossa parceria com o Curso de Biologia, através do PIBID, que já mantinha alunos bolsistas trabalhando na escola. Assim, a ideia do trabalho foi apresentada pelos acadêmicos de farmácia para a professora de Biologia da escola, que também faz parte do projeto PIBID e para os acadêmicos de biologia bolsistas do PIBID. E foi esse grupo que acompanhou as atividades realizadas pelas acadêmicas.

 

CRF-RS -  Como você percebeu o envolvimento da acadêmica Andressa Dias da Silva no projeto? O que foi o diferencial para ela ser vitoriosa na categoria estudante?

Professora Cristiane Kratz - A Andressa é uma aluna muito ativa, sempre participa das atividades propostas pelo curso. É daquelas que está pronta para tudo, então ela já participou de várias ações, desde o trabalho com a comunidade sobre o Uso Racional de Medicamentos (em maio, proposto pelo CRF-RS), ações da Universidade tal como Conexão URI, que é uma gincana com os alunos do ensino médio. Ela também é engajada com o processo de auto avaliação do Curso, participa da Comissão de Auto avaliação do Curso de Farmácia (CAC). E, com o artigo a ser escrito, não foi diferente. Ela estava desde o começo acreditando na ideia, demonstrou muita atitude e comprometimento, o que também nos motivou (eu e a Profª Briseidy Soares) a contribuir com a elaboração do artigo.

 

CRF-RS - De que forma o curso de Farmácia da URI Santo Ângelo procura trabalhar com os alunos “experiências que melhorem as condições de saúde da comunidade”, um dos objetivos do Prêmio Jayme Torres?

Professora Cristiane Kratz - A URI é uma universidade comunitária, é por essência envolvida com o desenvolvimento regional. O curso participa de várias maneiras para melhorar as condições de saúde na comunidade através de projetos de extensão, intervenções das disciplinas na comunidade, como por exemplo a atenção farmacêutica, os estágios e os trabalhos interdisciplinares.

A cada ano são realizadas dezenas de atividades que tem foco em grupos comunitários (grupos de mães, grupos de pacientes das Estratégias de Saúde da Família e associações de bairro). Nestes, os temas abordados são diversos, porém destacam-se Diabetes mellitus, hipertensão arterial, Uso Racional de Medicamentos, Doenças Sexualmente Transmissíveis e Câncer. Cada atividade é elaborada com foco no público alvo, de modo que aconteça a integração com os acadêmicos, que aprendem o que ensinam e o público que aprende o sobre a importância dos cuidados com a sua própria saúde.

Foto: URI Santo Ângelo