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04/10/2018 - 15h22

Reconhecimento e respeito para as Práticas Integrativas e Complementares são prioridades para vencedora do Prêmio Sérgio Lamb

Janaíne R.  Martins atua com atendimento em Terapia Floral há 22 anos, aliando também seus conhecimentos em Homeopatia e em Fitoterapia. Hoje, preside a Comissão de PICs do Conselho Regional de Farmácia do RS e continua batalhando pela sua área.

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Reconhecimento e respeito para as Práticas Integrativas e Complementares são prioridades para vencedora do Prêmio Sérgio Lamb

Vencedora do Prêmio Sérgio Lamb 2018 na categoria Inovação na Prática Clínica, Janaíne R. Martins nem sempre teve como aspiração se tornar uma farmacêutica. Quando criança, sua vontade era ser Médica Veterinária, depois veio a ideia de ser Engenheira Química. Mas após concluir o curso de Técnico em Quimíca e de ter conhecido a indústria de alimentos, seus planos mudaram. Janaíne descobriu que o curso de Farmácia tinha ênfase em Bioquímica de Alimentos e ingressou na graduação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1997 com este objetivo.

Hoje, a farmacêutica fundadora da Comissão de Práticas Integrativas e Complementares do CRF-RS em 2014 não se imagina em outra área. Ela, que batalha muito pela área das Práticas Integrativas e Complementares (PICs), hoje, após o reconhecimento do Ministério da Saúde e a inclusão das práticas no Sistema Único de Saúde (SUS), busca mostrar que a área merece o respeito de todos. 

Confira abaixo um pouco mais sobre a vencedora do Prêmio Sérgio Lamb 2018.

 

CRF-RS: Farmácia sempre foi sua opção de carreira?

Janaíne: Não! Quando criança, eu queria ser Médica Veterinária (e quem não queria, não é mesmo?), depois, já como Técnica em Química, almejava ser Engenheira Química. Porém, após trabalhar em uma indústria de reciclagem de papel, e de conversar muito com os alunos de Engenhara Química que visitavam a empresa frequentemente, cheguei à conclusão de que a Química, área de que eu mais gostava, não era o foco do curso. Então, encantada pelas aulas do Técnico em Química na área de alimentos, além de sempre fazer uso de produtos naturais para a saúde, pensei em algo mais biológico, sem perder de vista a Química. Descobri que a Farmácia UFRGS tinha uma ênfase em Indústria de Alimentos e foi para lá que eu fui. Talvez uma das únicas que entrou na Faculdade de Farmácia pensando na área de alimentos desde o início. Sempre gostei da área industrial e, no meio do caminho, além dos alimentos, me encantei com a Homeopatia, com a Farmacognosia e com a Cosmetologia.

 

CRF-RS: Como você ingressou na área que você atua hoje?

Janaíne: Eu assisti a uma palestra na UFRGS, de um médico que atuava com Terapia Floral e chegou a me dar uma aflição ouvindo o que ele dizia, pois parecia que eu já sabia aquilo ali. A partir daquele momento, eu sabia que TINHA QUE estudar mais sobre, eu precisava saber mais a respeito dos florais de alguma forma. Então, me inscrevi em um curso de formação de 120h de duração, 1 ano antes de me formar Farmacêutica. Anos depois, já com a especialização também concluída na área, a Farmacêutica Liane Schneider me convidou para dar um curso de “Manipulação de Fórmulas Contendo Florais” pelo Instituto Magistral. Mesmo ainda meio tímida (mas já bem trabalhada nos florais para isso), encarei. E não é que deu certo? As pessoas elogiaram a ela sobre meu jeito de explicar que era claro e simples de entender e pediram mais cursos. Assim, além da prática clínica, também ampliei a atuação para a formação de outros profissionais na área, através de cursos de formação.

Para alcançar esse nível precisei de muito estudo, de muitos cursos, muitos erros e muitos acertos, mas principalmente, de autoconhecimento. Comecei atendendo familiares e amigos, não sabia cobrar pelo atendimento... Muitas vezes queria forçar as pessoas a tomarem os florais para que se sentissem felizes como eu estava me sentindo, mas aos poucos fui entendendo que não é possível impor a felicidade a alguém. Confesso que muitas vezes me senti frustrada quanto a isso, mas é a vida: aprendi. Atuei muito tempo em indústria e farmácia mantendo a Terapia Floral em segundo plano. Quando a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares foi publicada (2006), acho que esta área ganhou maior visibilidade e credibilidade, então meu trabalho foi crescendo. Deixei meu cargo na indústria veterinária (ah, acharam que havia esquecido dos bichinhos, não é?) para ser autônoma, como consultora e terapeuta. Assim sigo até o momento.

 

CRF-RS: Que desafios futuros você vê para a sua área de atuação?

Janaíne: Os desafios já foram maiores, mas agora, com cada vez mais o Ministério da Saúde reconhecendo as PICs e as incluindo e incentivando no SUS, aos poucos as pessoas vão conhecendo e experimentando, se abrindo para algo diferente, que não é novo, e que traz mais humanidade e conforto aos tratamentos. A falta de conhecimento e respeito dessas práticas é o maior desafio. Há muitos preconceitos infundados até mesmo da parte dos profissionais da saúde que, caso se permitissem ampliar a mente e tomarem maior conhecimento a respeito, veriam um grande campo de possibilidades seguras e eficazes que trazem saúde integral aos pacientes com evidências e com resultados gratificantes, só tendo a agregar a  outras áreas de atuação! O maior desafio futuro é o combate que a “elite intelectual” faz a respeito de algo que desconhece. 

Na minha carreira, acho que um dos maiores desafios foi a ideologia de poder ajudar e curar a todos e nem sempre achar meios para tal. Outro foi a timidez, pois eu era muito travada e sentia certo pânico em falar em público, mas isso foi o que tratei desde os primeiros florais que tomei na vida! E funcionou, hein? Atuar exclusivamente como Terapeuta Floral requer certa ousadia, pois no início não se tem muitos pacientes e a gente tem que ter um plano B. Às vezes, teu objetivo principal tem que se manter como teu plano B, até que tu tenhas profunda segurança na atuação na área e que as pessoas confiem em ti como o profissional que pode ajudá-las. Mas com fé,  autoestima e muitos florais, a gente chega lá!

 

CRF-RS: Que diferencial você vê no seu trabalho?

Janaíne: Diferenciais dos conhecimentos ocidentais a respeito de saúde? Todos! É um modo de pensar muito diferente daquele que aprendemos a respeito do processo saúde-doença nas universidades. O principal diferencial é a visão do ser humano de modo integral, não somente como uma máquina física que necessita de conserto, além do cuidado mais humanizado e individualizado para com o paciente. Isso faz toda a diferença. É algo que a população busca muito, pois a visão muito cartesiana levou os profissionais de saúde a atuarem de certa forma mecanizada, sem preparo para entenderem o que está acontecendo com o indivíduo que manifesta aquela doença, focando somente em remover os sintomas, e querendo acreditar que isso é tudo. O paciente que é escutado, que é compreendido em sua dor, que recebe uma explicação de seu processo, se responsabiliza pela melhora e é parte atuante e decisiva de sua cura. 

 

CRF-RS: Qual a importância de ganhar um  prêmio como o Sérgio Lamb?

Janaíne: O prêmio foi muito importante para mim, já que se trata de uma área um tanto nova de atuação para o Farmacêutico, assim como polêmica, pois não é um assunto tratado nas universidades e nem todos os profissionais compreendem as Práticas Integrativas e Complementares  em saúde (PICs). Minha atuação clínica com a Terapia Floral vem de 22 anos, durante os quais estudei muito e fiz diversos cursos incluindo uma pós-graduação na área. Ter esta atuação reconhecida através do Prêmio Sérgio Lamb na categoria Inovação na Prática Clínica é um marco em minha carreira! É algo que nunca me passou pela cabeça: ter minha atuação nessa área reconhecida e homenageada! Com certeza, o Dr. Sérgio Lamb, como grande farmacêutico homeopata que foi, deve estar muito satisfeito também.


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